História da Gravura em Metal

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Gravar, no mais amplo sentido, é atividade conhecida desde a antiguidade e em quase todas as culturas como um dos mais simples modos de expressão.

A gravação em pedra ou madeira, visando a utilização do material gravado como matriz, foi empregada pelos egípcios para impressão de tecidos e é conhecidas pelos chineses desde o século II.

Somente em fins do século XVI é que surgem as primeiras manifestações de gravura na Europa; é o período de decadência da Idade Média e precursor dos Tempos Modernos, época de transição que se caracteriza pelo fim da unidade romana e surgimento das nações modernas – o Renascimento.

A partir do século XV, a arte da gravura se impõe: além de já ser amplamente utilizada na divulgação de imagens religiosas e na impressão de cartas de baralho, vai substituir o manuscrito e a iluminura, privilégio da nobreza e do clero, criando novas possibilidades de divulgação e democratização do conhecimento da época. A gravura, por séculos, não apresentou limitações de edição senão aquela imposta pela resistência da própria matriz.

É no decorrer desse século que a gravura em metal aparece. A produção de imagens, que a princípio se restringia a gravuras com matrizes de madeira, em meados do século passa a ter também matrizes em metal. É nesse período que aparece a prensa: indispensável para a impressão correta da gravura em metal, transporta toda a tinta da gravação para o papel. É nesse período, também, que nasce a tipografia.

A gravação do metal como se fosse uma xilogravura ou um nielo tem origem na atividade dos ourives. O uso dessas técnicas, com o objetivo de fornecer uma matriz, desapareceu logo. No fim do século, o surgimento do talho doce permitirá um amplo desenvolvimento da gravura.

A Alemanha e os Países Baixos, onde a ourivesaria é muito desenvolvida, a produção é abundante e geralmente de inspiração religiosa. Tem-se notícia de vários mestres hoje de difícil identificação. São conhecidos principalmente pelos temas que escolhiam ou iniciais que gravavam, eventualmente, nas matrizes.

Na Itália, apesar de não serem tão numerosos, os gravadores florentinos já realizam belíssimos trabalhos em talho doce no fim do século.

No século XVI há a consolidação da gravura em metal como forma de expressão em toda a Europa. A xilogravura entra em declínio e a gravura em metal é intensamente utilizada, dado que possibilita uma edição maior e melhor qualidade de traço.

Dürer contribui, neste século, para uma mudança de qualidade na produção de gravuras realizando inclusive experiências com a técnica da água-forte.

Na Itália, Marco Antonio Raimondi, com sua gravura de reprodução, documenta as grandes obras de pintores e desenhistas. É a partir do trabalho de Raimondi que se tem definido o que se chamou "gravura de reprodução ou documentação". Na gravura de reprodução, o artista-artesão grava e documenta imagens que não são de sua própria criação; enquanto a chamada "gravura original" é em si mesma uma forma de expressão do artista.

Já no fim do século AVI encontramos a gravura de reprodução documentando o descobrimento do Novo Mundo; temos também as primeiras gravuras registrando estudos científicos de anatomia, botânica, zoologia, etc.

As técnicas de gravura em metal já conhecidas chegam ao auge da perfeição e da maturidade no decorrer do século XVII. Meio de fácil reprodução e difusão, a par do interesse estético que ela oferece possui também valor de documentação e registro da cultura da época.

No século XVIII, o uso da água-forte e do buril está amplamente difundido e as duas técnicas já se desenvolveram de tal maneira que se torna corrente a combinação de ambas para a execução de um mesmo trabalho. A necessidade de se obter novos valores gráficos leva os gravadores do século XVIII não só a combinar técnicas já conhecidas, como também, a pesquisar soluções novas. Aparece então, o verniz mole, a água-tinta, a maneira de crayon e outras técnicas, que vão possibilitar à gravura novas texturas, tons e planos de cor. É agora que aparecem gravuras impressas a cores, com a utilização de uma ou mais matrizes. Até então, a cor era geralmente aquarelada depois de impressa a imagem.

O século XIX traz não só grandes transformações sociais e de modificações significativas a nível de avanços tecnológicos como também é um novo momento em relação às possibilidades de comunicação e circulação de idéias. No campo das artes, o público é cada vez maior, consumindo rapidamente a produção que conta com recursos crescentes.

O aparecimento da fotografia e, no final do século, a invenção de processos foto mecânicos de impressão levam a produção artesanal paulatinamente ao declínio. O clima de transformações do século XIX propicia grandes mudanças no campo das artes e assim vemos serem determinados os princípios da gravura contemporânea.

Brasil

É no século XVIII que a gravura em metal chega ao Brasil. Talvez o primeiro gravador tenha sido o Jesuíta Alexandre de Gusmão (1629-1724), que deixou uma "natividade" gravada a buril. Posteriormente surge o livro "Exame dos Bombeiros" com vinte pranchas do gravador português José Francisco Chaves, constando em uma das gravuras a data "Rio, 1749".

Frei Antonio de Santa Maria Jaboatão (1695-1779), de Olinda, é conhecido como gravador de talho doce deixando o trabalho "Orbe Seráfico", hoje desaparecido. Há ainda notícia de dois brasileiros trabalhando na Europa. Um deles é Antonio Fernandes Rodrigues (1724-1804), de Mariana, que foi para Lisboa e Roma onde completou estudos de desenho, gravura, escultura e arquitetura. Em 1770 publicou o "Livro de vários ornatos próprio a entalhadores, canteiros, lavrantes e pintores de ornatos", com sete gravuras. Fez também um retrato de Camões impresso em 1799. O outro, Manoel Dias de Oliveira (1764-1837), fluminense, também viajou para Portugal e Itália. De volta ao Rio, dirigiu a Aula Pública de Desenho e Figura, desde a sua criação em 1800.

Com a vinda da Família Real, é fundada no Rio de Janeiro a Imprensa Régia e, assim, surge a regulamentação da gravação e impressão no Brasil.



Martins Filho, Carlos Botelho - Introdução ao conhecimento da gravura em metal.
Eduardo Eloy - Coordenador Geral

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