Xilogravura
Qui, 08 de Outubro de 2009 20:19
Xilogravura (Gr. Xylon, madeira) – Devido a economia de meios e materiais envolvidos em seu processo, foi a primeira técnica de gravação. A gravação é feita sobre a placa de madeira, pelo desbaste das áreas que não se deseja imprimir, manipulando-se a goiva, faca ou buril. A impressão acontecera na parte restante da superfície do taco, ou seja, no relevo.
Distribui-se a película de tinta tipográfica usando rolo de borracha. Coloca-se o papel sobre a matriz entintada. A impressão pode ser mecânica, por meio de prensa, ou manual pela fricção, usando uma espátula pequena de madeira sobre o papel colocado sobre a matriz. Há duas maneiras de gravação, dependendo da posição das fibras na superfície da madeira. Xilogravura de fio: quando as fibras são paralelas como a tábua. A gravação é feita com facas e goivas. Xilogravura de topo: quando as fibras são perpendiculares. A gravação é feita com buril. É difícil precisar com exatidão o possível período de origem da xilogravura, pois procedimentos semelhantes foram encontrados desde a Antiguidade, principalmente, na estampagem de tecidos.
No Oriente, no século VIII, com o aparecimento do papel, surgiram estampas de conteúdo religioso. Na Europa, a mais antiga imagem impressa que se conhece, pertence ao século XVI (Bois protat).
Em seu início, a história da xilogravura esteve intimamente envolvida na difusão de imagens e textos: cartas de baralho, cenas religiosas, incunábulos. Na gravação, estiveram envolvidos ebanistas e carpinteiros, por se tratar de um trabalho feito na tábua de madeira. No século XVI, a xilogravura despertou grande interesse, fazendo parte da história da arte ocidental. Os artistas que a praticaram foram também atuantes em outras técnicas, sendo pintores ou gravadores em cobre.
Exemplo expressivo disso foi o alemão Albrecht Dürer (1471-1528), que realizou o mais eloqüente conjunto de xilogravuras de todos os tempos: as quinze chapas do “Apocalipse”.
A partir do século XVI, e por dois seguintes, a xilogravura passou por um certo esquecimento. Neste período, a água-forte se destacou, sendo o meio de reprodução com maiores afinidades com a época, desejosa do efeito pictórico, sugestivo da imprecisão, criadora da atmosfera. A xilogravura de impressão linear, nítida e sintética, contrastava com esta exigência.
No século XVI, com a introdução da gravação em buril no topo da madeira (buxo), foi possível uma gravação mais delicada e detalhada. Com isso, a xilogravura alcançou novo impulso, como meio de reprodução de imagens. Surgiu a prensa a vapor e as primeiras revistas ilustradas.
Nesta época, as diferentes etapas da produção da gravura eram confiadas a profissionais especializados: o autor do desenho, o gravador e o impressor. Gustavo Doré (1832-1883), desenhista de rica imaginação utilizou-se de uma extensa equipe de gravadores (Pisan, Panmaker, Gusman, etc.) para ilustrações de “D. Quixote”, da “Bíblia”, etc.
No século XX, com o uso da fotografia na produção do clichê tipográfico, todas as técnicas de gravação, então em uso, tornaram-se obsoletas. A xilogravura tenderia ao declínio, não coincidisse com a busca da intensidade expressiva de determinados artistas do período. Gauguin, Munch e, mais tarde, os expressionistas alemães, Kirchner, Heckel, Nolde, Pechstein, Feininger, entre outros, recuperando o método original de gravação na tábua de madeira, exploraram suas possibilidades, de um modo tão determinado, quase confundindo o movimento artístico com a própria técnica de gravar.
No Brasil, a xilogravura moderna começou dentro deste movimento a partir da obra expressionista de Oswaldo Goeldi (1895-1961), Lasar Sergall (1891-1957) e da primeira fase de Lívio Abramo (1903-1992). Optando por um caminho diferente, encontramos Fayga Ostrower, cuja obra se inclinou para a abstração lírica.
Outra manifestação importante em nosso país é a gravura popular nordestina, ilustrando capas de folhetos da literatura de cordel, cujos versos são de métrica e rima de tendência arcaica. De origem obscura, as ilustrações até 1920 foram anônimas. Linogravura, introduzida no século XX, é uma técnica semelhante a xilogravura, empregando o linóleo no lugar da madeira como matriz. A xilogravura japonesa teve enorme influência na Europa, no século XIX, refletidas nas obras dos artistas impressionistas em Van Gogh, Whistler, entre outros.
No Japão, embora conhecida desde o século VIII, se impôs de forma significativa a partir do século XV até o século XIX. Neste período, no Japão, ocorreram profundas transformações políticas, com a ascensão de uma nova classe rica, interessada nas coisas do cotidiano. Substituiu-se a produção, monumental e austera, por temas do mundo passageiro, flutuante (Ikivo-e). Utamaro, Sharacu, Hokusao, Hiroshige são alguns dos artistas do período, cujas estampas mantém, até hoje, o frescor e o interesse, tal a pureza de suas cores, o conteúdo de suas imagens e o requinte da gravação.





